domingo, 5 de fevereiro de 2012

A música voa na voz de Rosane Duá...

Oi!
Aqui vai o texto que foi publicado em minha coluna no Diário do Comércio (SP), Meio Norte (Teresina), Jornal da Cidade (Poços de Caldas), A Gazeta (Cuiabá) e Brazilian Voice (uma publicação voltada para os brasileiros residentes em toda Costa Leste dos EUA).
Fraternalmente,
Aquiles Reis, músico e vocalista do MPB4


A música voa na voz de Rosane Duá

Nascida Rosane do Amaral, ou simplesmente Rosane Duá, essa compositora e cantora carioca lançou o CD Todos Nós.

Apoiada em arranjos corretos do violonista e guitarrista Theo Santos, buscou um repertório no qual se sobressaem justamente as canções de que é autora - quatro em parceria, duas com Rogério Lippi ("Perfume da Noite" e "Mel Escorpião"), uma com Theo Santos ("Guardião da Lua") e uma com Mingo ("Guerra de Valores"). E duas só dela, "Olhar de Ciúme" e "Senhora da Serra". Destacam-se ainda "Você Me Deixa Comigo", de Theo Santos e Juca Filho; e Jorge Vercilo e Jota Maranhão, presentes com a inédita "Nunca Mais", escolhida para abrir o álbum, bem como a regravação de uma antológica de Chico Buarque, "Construção".

Com músicas emolduradas em viva personalidade musical e afetiva, Todos Nós soa impregnado de frescor musical. Para tanto contribui a aguçada sensibilidade de Rosane Duá. Ela que, com seu cantar, dá às letras o sabor que precisam para representar o universo cotidiano de uma mulher que demonstra saber o que quer da vida e a (en)canta com toda a força de sua feminilidade.

Do rap ao baião, do pop à balada, da bossa nova à canção, Rosane voa por diversos estilos e em todos se mostra firme, convicta de suas possibilidades e qualidades.

Com ótima afinação - notadamente nas saídas das frases melódicas, quando as notas finais têm arremate digno de um ourives -, Duá parece cantar para ser feliz. E se de fato assim é, a felicidade está com ela. Na reflexão mais profunda ou na fantasia mais absurda, tudo o que canta vem como um recado: "Ouçam-me e decifrem-me. "

Sua voz que voa por entre nuvens carregadas de emoção nos traz "Senhora da Serra", hino de amor à própria mãe: "(...) Carrega tanto fardo, nem atriz, nem cantora/ A fiel, dominadora, a esposa infeliz/ Mas eu sei o que lhe importa, eu sei o que lhe guia/ Sua prole que deu cria já foi tudo o que quis (...)". Sua voz, num canto para resgatar laços e desprender amarras, entoa a canção de ninar que renova o amor por seu pai: "(...) Guardião da lua/ Teus cabelos cor de prata ainda têm pra me ensinar/ Sou a menina sempre grata da cantiga de ninar/ Guardião da lua/ Quando sentas na varanda esperando ela nascer/ Tens o brilho como ela pontuando o anoitecer". Dois dos momentos mais singelos, porém intensos, de Rosane Duá em seu disco.

Estes dão a Todos Nós a certeza de estarmos diante de um belo trabalho. E são somados a outros de igual calibre, tais como a levada rítmica acentuada pela precisa divisão e a subida de tom para ainda mais reforçar a dramaticidade de "Construção", ou ainda os versos de Vercilo para "Nunca Mais": "(...) 'Abra-te Sésamo' todas as portas desse coração/ Libertei da eterna escravidão o meu amor pagão (...)".

Feito pássaro que alça voo sem saber nem se importar se o vento o levará ou trará, e simplesmente voa por voar, Rosane marca com a voz um estilo de cantar como quem sobrevoa a realidade.


Quando li esta crítica sobre o meu CD "Todos Nós", chorei de alegria.
Obrigada, Aquiles, pelas palavras que me fazem ainda continuar tentando a minha paixão: a música!

Amigas para sempre!

Amizade não tem preço e ninguém pode negar
Um amigo a gente tem que cativar
Amizade é ter respeito, é carinho e afeição
Um amigo a gente traz no coração
É pra dividir segredos, repartir a emoção
Um amigo na verdade é quase um irmão
Uma jóia de valor, o perfume de uma flor
É o sol, a esperança, é o amor
Pergunte ao coraçào como é bom encontrar
Alguém que com você vai sorrir, vai cantar
Um amigo verdadeiro não vê cor nem condição
Ele é sempre companheiro em qualquer situação
A voz do coração sabe bem o que diz
Quem tem amigo é muito mais feliz

Esta letra é minha em parceria com Fred Pereira.
A música chama-se "Amizade" e foi gravada pela Xuxa para ser apresentada em seu programa na época de Natal nos anos 80.

Desenhei essas três "carinhas" juntas para retratar a minha amizade com Lize e Sol.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A história do pequeno “grande menino” Juan


Tenham a certeza de que o encontro com Juan foi o mais abençoado da minha vida, depois do dia 14/01/80, dia do nascimento do meu filho.

Juan, pequeno nome que não cabe a grandeza da graça, da generosidade, da alegria, da felicidade, do amor à família, do amor à vida desse menino.

Mal consegui analisar os problemas arquitetônicos de sua casa. Ele me seduziu com seu sorriso, seu olhar, sua dança... Confesso que foi amor à primeira vista.

Sei que ele não vai crescer, pois tem “ossos de vidro”, mas, diante de sua grandeza de espírito, quase pouco importa.

Depois do impacto desse encontro, quis fazer o melhor diante das necessidades e da falta de acessibilidade encontradas em sua humilde residência feliz. Foi tudo pensado e executado para que ele tivesse liberdade e autonomia.

Deu tudo certo, ele ficou ainda mais feliz com sua nova casa.

Aprendi com o Juan que existe felicidade apesar dos pesares da vida.

Obrigada, RioInclui, por ter, de alguma forma, proporcionado esse momento que gerou um amor profundo e uma eterna amizade com a família do Juan.

Esta história deveria ser escrita com letras de ouro...
http://www.rioinclui.org.br/

"Cristiane e seus filhos"

Eu jamais poderia imaginar que a Arquitetura me traria a oportunidade de repensar meus valores.

Fui levada pelos bons ventos a intervir na vida da família de uma jovem senhora chamada Cristiane.

Com seus cinco pequenos filhos, um deles autista, e a espera do sexto, viviam em um cômodo somente e em condições completamente insalubres e precárias em Inhoaíba, região oeste do Rio de Janeiro.

Meu primeiro contato com ela foi de extrema desconfiança de sua parte. Em seu pensamento havia uma distância sem fim entre nós, um caminho de pedras pontiagudas, cortantes, que com o tempo foi se tornando florido e perfumado.

Mal sabia ela da intenção da minha visita, da mudança significativa que estava para acontecer em sua vida, no seu dia a dia e até no modo de dormir de seus filhos.

Peguei a obra já iniciada, mas tive o prazer de contribuir com o meu conhecimento para que tal mudança ocorresse de forma simples, porém com dignidade e atenção por parte de toda a equipe do RIOinclui.

Cada tijolo, cada azulejo, cada piso, cada porta colocados diminuía a espera da tão almejada casa nova.

Tudo foi feito com muito carinho e dedicação pelos “nossos meninos” das mãos de ouro, Tião, Ronaldo e Antônio.

O dia “D” chegou com muita expectativa!

Vi um sorriso largo emoldurado na cor lilás de sua predileção!

Entre choros, abraços, depoimentos, salgadinhos e refrigerantes, uma mudança marcou essas vidas, uma história começou a ser contada e entrou para as páginas de um blog.

"Djalminha"

Djalminha

Assim chamo esse menino homem de 29 anos em retribuição ao carinho que ele me transmitiu com o olhar.

Filho de uma sofrida senhora, Dona Elza, que apesar de toda a sua luta para lhe dar o melhor com o fruto de seus plásticos catados na rua, tem um sorriso fluente e cativante. O pai, o Sr. Djalma que dá apoio aos seus cuidados com a venda de cloro, diariamente visita seu filho e lhe dá atenção, pois Djalminha morava somente com a mãe numa casa em péssimas condições numa comunidade em Bangu.

Quando cheguei a sua casa e o vi deitado num lençol sobre o chão e sob um guarda-chuva que o protegia das goteiras, a perplexidade e a tristeza me invadiram como uma enxurrada...

Agradeci a Deus por estar naquele lugar, fazer parte da equipe do RIOInclui e, com os meus conhecimentos, mesmo com simplicidade, poder interferir na vida daquela pequena família.

Saí dali com o coração em pedaços, porém esperançoso.

As intervenções surgiram primeiramente na minha cabeça, no meu computador e dois meses depois constatadas pelos sorrisos e abraços dos membros da família.

Djalminha agora dorme sob um teto protegido da chuva, sua mãe faz as refeições com o mesmo tempero de amor, porém em condições mais dignas e salubres, uma rampa de acesso lhe deu a possibilidade de sair e se distrair dentro de suas limitações e até seu cachorrinho ganhou um novo canil!

E a vida continua com as mesmas garrafas de plástico vendidas com cloro, porém com mais tranqüilidade.

E mais uma história com a RioInclui que entra para as páginas deste blog.
www.rioinclui.org.br

"A história de Lenajaira"

                                                       Uma moça chamada Lenajaira, nome diferente e vida diferente.

Moça bonita, manicure de um salão próximo à sua casa, “andava” de joelhos pelos cômodos insalubres, sem nenhuma acessibilidade, somente com a dignidade de seu caráter e sem nunca ter tido outra opção.

Com sua mãe, Dona Marta sua amiga e cuidadora, dividia o pequeno espaço com o pai e mais dois irmãos no Vilar Carioca em Campo Grande, região Oeste do Rio de Janeiro.

Mais uma vez a Arquitetura me trouxe a oportunidade de repensar meus valores.

Quando a vi pela primeira vez fui recebida com um largo sorriso que estampava uma esperança sem limites.

Peguei a obra bem no início, por isso me sinto “mãe” dessa mudança significativa na vida dessa família, o que não seria possível sem a equipe do RIOInclui.

Dia após dia uma nova casa foi tomando forma, foi tomando o seu jeito simples e digno pelas mãos dos anjos Michael, Marcelo e Edson.

Uma rampa de acesso, a possibilidade de sua locomoção, o seu quarto independente, o banheiro adaptado, a nova cozinha, deixaram a cor verde mais bonita.

Com alegria e com o dever cumprido, o dia da entrega ficará pra sempre em nossos corações.

É mais uma história de vida que entra para as páginas deste blog.

Trabalho na ONG RioInclui. Reformo, com acessibilidade, as casas de pessoas com deficiência nas comunidades carentes do município do RJ.
http://www.rioinclui.org.br/

"A boa filha à casa torna"

Pois é.
Numa bela tarde de um dia frio do mês de Julho recebi uma ligação que fez meu rumo musical mudar...
"Ane, você quer cantar numa Festa Ploc em Niterói, substituindo a cantora da Banda, que está recém operada?"
Foi uma surpresa tão grande quanto a minha vontade de aceitar o convite!
Aceitei sem pensar. A partir desse momento, milhões de pensamentos, expectativas, músicas pra decorar me tiraram o sono! (como se a insônia não andasse grudada em mim...)
Chegaram os ensaios e eu lá como se fosse uma menininha que tinha acabado de receber um presente...Feliz!
No dia do show eu parecia uma noiva a espera do momento de encontrar seu amado no altar! O palco.
Enfim, casamento perfeito, química perfeita, "bola na rede com gol de Ronaldinho Gaucho" (palavras de Denise Mastrangelo, tecladista da Banda, se bem que eu prefiro o gol do Fred...).
Sabem o que aconteceu? Voltei. Voltei ao lugar em que um belo e perfumado tempo eu estive: cantora da Banda Sempre Livre!
Leitores, pra mim, saibam que cantar é uma das maiores maravilhas do mundo!
Me transporto, me condenso, me afirmo, me confirmo, me, me, me...
Agradeço a Deus pelo dom que Ele me deu e preciso justificá-lo.
Que ELE me abençoe e me proteja nessa nova empreitada.
Que o mundo me entenda.



Dia 22/10..................Lona Cultural de Vista Alegre

"Biscoito Maizena"

Era uma vez, uma menina bem pequena!
Bonitinha, que adorava um biscoito maisena!
Desde cedo nos braços do seu guardião,nem imaginava o que lhe reservava o seu coração!
Foi crescendo, virando moça e moça feita tentou ser feliz.
Fez tudo o quê pôde, mas não fez tudo o que quis! Descobriu que da vida, era apenas uma aprendiz.
Aprendeu sozinha, se virou, virou mulher. Mulher que detesta cozinha, mas estudou e hoje sabe o que quer.
Teve de DEUS um presente, de um momento bem amado. Um menino reluzente, um talento, o seu filho adorado!
Algo mais explodia dentro dela e estava preso em sua garganta! Melodias, notas, canções, enfim, tudo o que se canta!
Mas mesmo entre altos e baixos, é a música que a acalanta! Fez de tudo um pouco, sofreu e continuava vazia...
Mas alguma coisa estava para acontecer, percebeu, ela sentia!
Não perdeu a esperança, pedia a DEUS o amor verdadeiro. Demorou quarenta anos, mas foi “um tiro certeiro”! Cedeu, se deu de alma, depois se deu de corpo.
Conheceu a felicidade, a calma e enterrou seu passado já morto!
Obrigada meu DEUS, por essa luz, por ele, minha vida, meu conforto!

Foto: eu bebezinha com meu adorado e saudoso pai e saibam, até hoje adoro biscoito Maizena.

segunda-feira, 22 de março de 2010

"Eu sinto você ao meu lado"

Em cada sala, em cada canto,
Em cada gota do meu pranto
Em cada lugar sossegado,
Eu sinto você ao meu lado!

No mouse, a cada clique...
Durante todo o meu pique,
Mesmo no frio, meu corpo suado,
Eu sinto você ao meu lado!

Na música, no gesto, no ato,
No CD do Zé Renato,
Em cada som sincopado,
Eu sinto você ao meu lado!

Em cada volta na rua,
Em cada fase da lua,
Em todo papo furado,
Eu sinto você ao meu lado!

A cada segundo que passa,
A cada noite sem graça,
Em toda virada de lado,
Eu sinto você ao meu lado!

Em cada curva da estrada,
Sempre aparece do nada
O seu olhar acanhado...
E eu sinto você ao meu lado!

Fiz uma viagem sozinha a Friburgo e senti "meu anjo" ao meu lado. Daí, a poesia fluiu...
Desenho Rosane Duá

quinta-feira, 11 de março de 2010

Homenagem ao meu FLUMINENSE

Mesmo debaixo de um temporal
Esse time faz do jogo um verdadeiro carnaval
O “Maraca” pega fogo mesmo assim
Nas bandeiras coloridas em branco, verde e carmim.
É muito lindo o duelo de milhões
É certeza de vitória em mais de cem mil corações
Rola sempre um clima de magia
Quando o FLU esbanja raça, graça e categoria.
Um a zero, dois a zero ou dois a um
Quando chega aos noventa, só quem tenta faz mais um
E os deuses tricolores no estrelato
Decidiram o jogo na barriga santa de Renato.
A decisão às vezes fica pra depois
Mas no final o campeonato vai pra mão do “pó de arroz”
Não é sonho é a pura realidade
O Fluminense é o eterno campeão dessa cidade.
O belo time de Joel Santana
Muita graça e muita gana com seu charme deu olé
Quem sabe o outro tenta o ano que vem
Ou contrate mais alguém que é pra ver se dá mais pé.
No ano lá do outro centenário
A taça é do operário, sem dó nem contestação.
Tirar o chapéu pro adversário
Pra quem é estagiário é dever de cidadão.
Ser tricolor é fazer festa o dia inteiro
Ser santo casamenteiro entre o time e o coração
É força, raça e muita energia
É amor e alegria, é conquista e união.
Eu agora quero homenagear
A galera desse time que Deus quis abençoar
Marcio Costa, Djair e Rogerinho
E o Ezio com carinho fez a rede balançar.
Welerson, Ailton e o Lira
Sempre com a bola na mira agitando a multidão
Leonardo, Lima, Renato Gaúcho
Faz do futebol o luxo, hoje é rei e campeão.
O Ronald, o Sorley e o Kadu
Também brilham nesse Flu e hoje querem agradecer
O brilho vai além das Laranjeiras
Vai a terras brasileiras, voa alto por você
Alô torcida tricolor
Nosso time muito craque, demorou, mas arrasou
Alô, deu “pó de arroz” mais uma vez
A vitória é mais gostosa quando o “outro” é freguês.

Este texto eu fiz para homenagear o meu Time do Coração naquele "bendito" jogo que o Renato Gaucho fez o goooooool de barriga e deu o título ao Flu!
Imagem Google

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Mulher"

Toda vez  que a vida desnuda a essência do íntimo de uma mulher
Se depara com a força num traje sutil pra encarar o que der e vier
Disfarçada de sexo frágil ela chega mansinho onde bem quer chegar
Virtuosa, prosa, inocente, indecente
Dona de um "Rio Vermelho", faz desse rio o espelho
Pra esbanjar a beleza e o poder que tem
Menina, mulher ou senhora
Fases que a lua ignora
Sempre é um porto e acolhe o coração de alguém
E assim ninguém chora ou vai embora

Quanto mais a história se forma mais nascem das cinzas de um mundo cruel
As Marias, Joanas, Indiras e outras que fazem tão bem seu papel
Preconceito, defeito é pouco diante de tudo que tem pra ensinar
Imponente, valente, safada, amada
Sempre que entra no cio, encara o maior desafio
Pra se entregar corpo e alma quando o amor vier
Só uma coisa enfraquece, a dor quando um filho padece
Move montanhas, se despe de prazer qualquer
A mulher enlouquece

Esta minha letra é em homenagem à força da mulher e a canção tem a bela melodia de Mário de Castro e pode ser ouvida em www.myspace.com/rosanedua e vista em
http://www.youtube.com/watch?v=sCDrbPHGAWc

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Peça de Cristaleira"


Em nossas vidas muitas coisas acontecem
E há aquelas que deixam de acontecer.
E a gente fica nula, sem resposta!
Mas o tempo se encarrega de responder.
Cito uma paixão avassaladora
Que estremeceu toda uma estrutura!
Mas se perdeu no espaço, foi levada ao vento
Sem justificativa ou censura.
Palavras vinham, palavras iam.
Dúvidas permaneciam.
Tudo lhe rondava, tudo lhe doía,
Tudo lhe ansiava, mas tudo se esvaía...
Mas o tempo é sábio, dá acalanto.
E quando menos se espera, como por encanto,
De um amigável convívio,
Um encontro, uma conversa, um alívio...
E entre copos e toques a verdade se tecia.
Soube da simplicidade, mas da sabedoria.
Do inusitado, do revelador!
De um velho amigo, um pescador.
E o motivo veio à tona e lhe veio a surpresa.
Ela se emocionou com a metáfora de tamanha beleza!
Idéia singela, mas banhada em unção.
São os abstratos concretos que saem do coração.
Tornou-se enfeite, perfeita, intocável tal qual bibelô.
Quem dera pra ela o deleite daquela noite de amor...
Ficou o desejo, o gosto no sonho e apagou-se a fogueira
Pois foi comparada a uma imaculada peça de cristaleira.

Outra história que não pode se perder...Depois de uma amiga ter me contado, não pude deixar de escrever!
Desenho: Rosane Duá

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"Caprichos"

Houve uma época em que eu viajava mais, muito mais do que hoje.
Ainda não tive a dádiva de conhecer a Europa. Itália, Espanha, terras dos meus sonhos e ancestrais...
Hei de vê-las e vivê-las!
Mas foi num dia frio qualquer, numa rua novayorquina que eu o vi pela primeira vez! Me apaixonei!
Ele estava lá, sozinho,parado numa esquina...Passei a noite pensando nele e mal conseguia dormir.
No dia seguinte, voltei esperançosa ao mesmo lugar. Fui tentar vê-lo de novo! Por sorte minha o encontrei. Ainda quieto no meio do povo.
São coisas comuns de mulher, paixão, amor à primeira vista...
E nem por um segundo sequer desistiria dessa minha conquista!
Sonhava com ele em meus braços ou então, eu envolvida nos seus!
A qualquer preço tinha que tê-lo. Deus, serão somente caprichos meus?
Posso afirmar piamente: Ele era lindo, delicado, gostoso...
Tudo o que eu sempre quis e não duvide se ainda tenho o que dizer: ele era sóbrio, quente, charmoso...
Meu retorno ao Brasil estava iminente.
Tive que dar um jeito nessa situação e tinha que ser rápido, pois podia perdê-lo para outra!
Consegui! Ralei um bocado mas enfim, o ato foi consumado!
Não dei chance a nenhuma outra fã.
Quer saber quem era ele? Nenhum ator ou cantor famoso.
Simplesmente, o meu casaco de lã.

Moral da história: se apaixonou, tente, vá em frente.
Se conquistou, muito bem! se não, se apaixone de novo!
Há sempre um casaco de lã à espera de braços friorentos!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Bloco de Carnaval"

Como a cabeça pode pensar engraçado!
Voltando do centro da cidade do Rio, termômetros marcando 42º, uma certa cabeça conseguiu desprezar o calor e resolveu idealizar um Bloco de Carnaval!
Só não vou dizer o nome! Mas acreditem, é muito bom e sugestivo!
O mais interessante é que essa cabeça faz parte de um corpo que detesta carnaval, não dança o samba e talvez seja doente do pé!
E foi assim:
A concentração será na Padaria “Artesanato do Pão” na Rua Uruguay.
Pra começar, a presidência será composta por membros ilustres: um escritor da TV Globo e sua família “fii”, a Gagaça Paga, uma amiga que sempre paga quando saímos para comer alguma coisa, ele, o próprio idealizador e sua fiel companheira de todas as horas, inclusive dessa hilária hora, eu!
Sairemos sentados em cadeiras, certamente empurradas por figurantes fantasiados...
Contestei e disse que eu sairei com o samba no pé e fantasiada de Mulher Gato. Nada de cadeira!
“Bicho de pé” tem ele!
Mas me disse que irá atrás de mim com um chinelo na mão!
Quem vai compor o samba é o novo trio de ouro, “Gamarra, Edu e Costinha”, vencedores por duas vezes do Bloco “Se me der eu Como” da Tijuca.
O puxador do samba será o Mingo, um dia MC do funk e hoje amigo compositor e parceiro. Vozeirão!
Até aí o assunto estava morno, até que ele definiu outros cargos importantes:
"Teremos uma consultora para assuntos referentes à insônia, uma amiga de nome Kapri, que dorme como ninguém, até em pé num ônibus! Ela vai ensinar como se desfila dormindo, para que ninguém fique cansado no final da maratona do desfile pelas ruas da Tijuca."
A comissão de frente será puxada pela Ito, uma amiga que mal consegue andar, usa uma bengala de apoio e fala muito palavrão! Imaginou ela dando bengaladas e xingando todos atrás dela reclamando da lentidão...
Fora as integrantes, as assanhadas do Tijolinho!
Não dá para descrever essa cena, pois eu não conseguiria palavras para expressar tanta imaginação e como foi engraçada essa descrição!
Não me lembro de ter dado tantas gargalhadas tão gostosas...

Esta página vale à pena visitar, pois é  de uma das amigas citadas nesta crônica.
 http://marciafurtado.carbonmade.com

"Mundo Mágico"

Essa é a história de um menino, hoje homem já feito
Que ainda fala dos seus dias de criança.
Seus sonhos, medos, saudades, conceitos...

Sabia das fábulas, contos, canções,
Papai Noel, Coelho da Páscoa, Branca de Neve e os Sete Anões.
Pela sua ingenuidade um mundo mágico lhe surgiu!
E quando se deparou com anão de verdade
Acreditou em tudo o que ouviu! 

Tinha medo de falar com os motoristas devido à sua timidez. 

E sempre passava do ponto de descida
E andava a mais e mais de uma vez!

Lembrou de uma bala antiga
Quando lhe deram uma bala de mel
Adora chocolate preto, cão viralata e mensagens num papel.

Diz que tem uma mãe bonita
Talvez por isso goste de mulheres maduras.
E sempre que pensa nela
Abre um belo sorriso e esbanja ternura.

Quem dera a pureza fosse eterna
E vivêssemos num sonho infinito
Haveria mais cor, aroma, sabor
E passaríamos pela vida achando tudo mais bonito...

Há histórias de vida que não podem ser somente contadas e sim documentadas.
É o caso desse "Mundo Mágico" de um bom amigo.
Desenho Rosane Duá

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

"Alzheimer"

Como se não bastasse a melancolia oriunda de uma saudade que não tem mais jeito de ser resolvida sobre o solo em que pisamos, a saudade do meu adorado pai, meu coração amargou a expectativa da maçã sobre a cabeça de Guilherme Tell, quando atingida pela fecha certeira: ficou marcada, ferida!
Pedaços da maçã com sabor de tristeza caíram sobre mim quando, ao tentar espairecer e minimizar aquela saudade, frente a frente, me deparei com uma das formas do fim da vida humana: o calado e infantil Alzheimer!
A mãe de uma grande amiga e colega de profissão, uma senhora linda, cheia de vida e energia transbordantes, que nos recebia com alegria quando éramos estudantes de arquitetura, se transformou numa criança quase muda, embora o sorriso ainda emoldurasse a sua face! Ela precisava de cuidados e atenção especiais devido à total dependência, tão especiais quanto a sua filha, que não se cansa e se dedica corpo, alma e coração a essa nova idosa criança!
Vi de perto e senti dentro da minha essência o quão triste é a condição de termos um ente querido com a doença. Mas um questionamento me ocorreu durante a presença desse quadro de lucidez ausente: será que ela sofre como nós ou o Alzheimer reduz, camufla ou elimina a depressão inerente a uma grande parte de idosos que vivencia mal a chegada da admirável idade nova, a velhice?
Sinceramente, embora a medicina avance a passos largos, não tenho conhecimento dessa resposta. Mas se houver, por favor, me digam para que eu possa lavar os meus e os olhos dos que choram por eles!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"Coexistência"

Em pleno 1º de Janeiro deste ano que se inicia e mais uma vez, almejamos que nossas expectativas e esperanças sejam concretizadas, que haja Paz entre os Homens e haja a conscientização que o Planeta pede socorro e que a família volte a ser a célula mestra do futuro promissor de uma criança, presenciei uma cena como poucas: uma família atípica, de membros e raças diferentes, mas com o amor e união indiscutíveis, incontestáveis!
Na famosa Praça 7 em Vila Isabel, uma humilde e bela senhora negra, que aparentava uns 80 anos em seus cabelos cor de prata, com vestimentas simples, pés descalços e com sacos de plástico nas mãos, por cansaço sentou-se sob a sombra de uma árvore na calçada. Ao seu lado, como filhos obedientes e fiéis àquela senhora, sentaram 4 cães vira-latas. Todos pareciam famintos e distantes do mundo real a sua volta, porém felizes.
Ela, muito delicada e vagarosamente, abriu um dos sacos e, com sua mão marcada pelo tempo, retirou farelos que parecia de pão e alimentou seus “filhos”.
Eu vi a mais humilde e bela ceia jamais imaginada!
Depois de alimentados, três cães ousaram dar uma volta pela redondeza. Fazia muito calor e pareciam estar à procura de água. A senhora descansava com o quarto cão ao seu lado como se não quisesse deixá-la sozinha.
A fêmea que parecia prenha, sendo seguida pelo seu macho protetor e possivelmente pai da sua cria, atravessou a rua e por sorte, encontrou uma jardineira que no lugar de terra e flores, havia água, muita água da chuva que maltratava o, literalmente, Rio de Janeiro.
Ela, sem nenhuma cerimônia, adentrou e deitou na jardineira, ficando somente com a cabeça de fora. Seu pescoço ficou ao nível da água e sem nenhum esforço matou sua sede. Seu “marido” parecia feliz por sua amada ter se saciado! A cena foi inacreditável!
O terceiro cão passeava no lado oposto sem dar atenção aos seus irmãos. Depois de alguns minutos a “senhorinha” levantou-se do chão e chamou os desgarrados fugitivos dizendo com sua voz alta e rouca e com gestos teatrais: Vamos pra casa! Imediatamente a fêmea, completamente molhada, ouviu a voz daquela que lhe amava e, pingando, caminhou ao seu encontro ainda com o macho em sua sombra. Parecia uma procissão!
Os três enfileirados voltaram à árvore de destino e os cinco foram embora juntos, unidos como uma verdadeira família até sumirem do meu campo de visão e só Deus sabe pra onde...
Nesse momento me lembrei a falta que sinto do meu filho nessa data emotiva, pois ele voa em outros ares, navega em outros mares...
Mas chego à conclusão de que não é preciso credo, religião, raça, poder ou luxo para que exista amor, respeito entre os seres humanos ou não.
A coexistência é possível!

Imagem Google

"Guardião da Lua"

Muita vida, pouca história.
Já te falta na memória
O teu jeito de aprendiz
Pouco tempo, muito sonho!
Mas ainda tão risonho
Disfarçando ser feliz
Um amor mal resolvido te tirou os pés do chão
Mas o luar tão exibido é o teu par na solidão
Quando o morro se ilumina
Tá na hora de esquecer
Dos anseios , tua sina que te fez envelhecer
Quando o morro se ilumina
Tá na hora de aprender
Que a vida é tua rima, que tens muito pra viver
Guardião da lua
Teus cabelos cor de prata ainda têm pra me ensinar
Sou a menina sempre grata da cantiga de ninar
Guardião da lua
Quando sentas na varanda esperando ela nascer
Tens o brilho como ela pontuando o anoitecer


Esta é a letra da canção "Guardião da Lua" que fiz para o meu pai e a melodia, que não imagino outra, é do parceiro e produtor do CD "Todos Nós", Theo Santos.
Meu pai faleceu em Outubro de 2008, 6 dias após o meu aniversário!

"Anjo de Óculos"

Estava eu de mãos dadas com a minha eterna companheira, a insônia da madrugada, pensando, como sempre, em criar alguma coisa.
Me sinto com sorte quando a inspiração me presenteia com o interessante. Uma letra para uma futura canção, um desenho a nanquim, uma solução para algum projeto de arquitetura... Mas quando não vem à cabeça efervescente nada que me justifique acordada, me distraio com os instigantes "jogos casuais". "Quem viver, verá. E quem jogar, saberá"! 
Foi numa dessas madrugadas em que o silêncio tomava conta do ambiente e ao meu lado a pessoa amada dormia como um anjo! Silencioso! Como de praxe questiono tudo, me perguntei: Mas, será que anjo dorme? Será que anjo usa óculos? E se dorme, certamente não dorme de óculos! Pois é, cheguei à conclusão que não era um anjo de verdade.  Ele simplesmente dormia em paz com seu óculos inseparável. Talvez seja para não perder um segundo do filme particular em cartaz no seu sonho e para ter o que contar quando acordar. 
As horas passavam como passam as águas de um rio, naturalmente. Quando a inspiração cedeu lugar ao cansaço, quando a mansa luz da manhã se intrometeu pela janela, aí sim, me deitei com a sensação do dever cumprido.  Morta, mas satisfeita pelo tempo não dormido e não perdido. 
Acho que dormir é perda de tempo. Pode ser loucura, ansiedade, sei lá... mas tem sido assim os meus dias, noites e madrugadas. Me comparo à uma espiral sem fim. 
Quando finalmente adormeci, eis que de repente, um susto! Acordei, se é que dormi, com um pulo da cama do "anjo de óculos" me perguntando onde estava o descongestionante nasal, vulgo remédio de nariz! Pensei que ele estivesse com o nariz entupido. Mas não era pra ele! Era para o ator principal do seu "filme", um leão falante e gripado! É isso mesmo, ele queria dar o remédio para um leão no seu sonho! Não sabia se ria da cena ou se chorava por ter acordado. 
Depois de eu ter lhe entregue o bendito remédio, ele voltou a dormir com esse entre as mãos e eu, finalmente, descansei! 

Moral da história: " não durma com um anjo e muito menos com um anjo de óculos, porque você se transformará num ator ou atriz coadjuvante em plena madrugada!