sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"Coexistência"

Em pleno 1º de Janeiro deste ano que se inicia e mais uma vez, almejamos que nossas expectativas e esperanças sejam concretizadas, que haja Paz entre os Homens e haja a conscientização que o Planeta pede socorro e que a família volte a ser a célula mestra do futuro promissor de uma criança, presenciei uma cena como poucas: uma família atípica, de membros e raças diferentes, mas com o amor e união indiscutíveis, incontestáveis!
Na famosa Praça 7 em Vila Isabel, uma humilde e bela senhora negra, que aparentava uns 80 anos em seus cabelos cor de prata, com vestimentas simples, pés descalços e com sacos de plástico nas mãos, por cansaço sentou-se sob a sombra de uma árvore na calçada. Ao seu lado, como filhos obedientes e fiéis àquela senhora, sentaram 4 cães vira-latas. Todos pareciam famintos e distantes do mundo real a sua volta, porém felizes.
Ela, muito delicada e vagarosamente, abriu um dos sacos e, com sua mão marcada pelo tempo, retirou farelos que parecia de pão e alimentou seus “filhos”.
Eu vi a mais humilde e bela ceia jamais imaginada!
Depois de alimentados, três cães ousaram dar uma volta pela redondeza. Fazia muito calor e pareciam estar à procura de água. A senhora descansava com o quarto cão ao seu lado como se não quisesse deixá-la sozinha.
A fêmea que parecia prenha, sendo seguida pelo seu macho protetor e possivelmente pai da sua cria, atravessou a rua e por sorte, encontrou uma jardineira que no lugar de terra e flores, havia água, muita água da chuva que maltratava o, literalmente, Rio de Janeiro.
Ela, sem nenhuma cerimônia, adentrou e deitou na jardineira, ficando somente com a cabeça de fora. Seu pescoço ficou ao nível da água e sem nenhum esforço matou sua sede. Seu “marido” parecia feliz por sua amada ter se saciado! A cena foi inacreditável!
O terceiro cão passeava no lado oposto sem dar atenção aos seus irmãos. Depois de alguns minutos a “senhorinha” levantou-se do chão e chamou os desgarrados fugitivos dizendo com sua voz alta e rouca e com gestos teatrais: Vamos pra casa! Imediatamente a fêmea, completamente molhada, ouviu a voz daquela que lhe amava e, pingando, caminhou ao seu encontro ainda com o macho em sua sombra. Parecia uma procissão!
Os três enfileirados voltaram à árvore de destino e os cinco foram embora juntos, unidos como uma verdadeira família até sumirem do meu campo de visão e só Deus sabe pra onde...
Nesse momento me lembrei a falta que sinto do meu filho nessa data emotiva, pois ele voa em outros ares, navega em outros mares...
Mas chego à conclusão de que não é preciso credo, religião, raça, poder ou luxo para que exista amor, respeito entre os seres humanos ou não.
A coexistência é possível!

Imagem Google

2 comentários:

  1. Rô, adorei seus textos, os que li. VC é uma artista. O poema do teu pai é emocionante.
    Vou linkar no meu TreS.MeiA.CincO que já acabou mas ainda existe. Visita uma hora... não tem palavras mas é legal... Bjs.

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  2. Juca, obrigada mais uma vez!
    Também sou sua fã, além de amiga, vc sabe disso.
    Um beijo.
    Rosane Duá.

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