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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Peça de Cristaleira"


Em nossas vidas muitas coisas acontecem
E há aquelas que deixam de acontecer.
E a gente fica nula, sem resposta!
Mas o tempo se encarrega de responder.
Cito uma paixão avassaladora
Que estremeceu toda uma estrutura!
Mas se perdeu no espaço, foi levada ao vento
Sem justificativa ou censura.
Palavras vinham, palavras iam.
Dúvidas permaneciam.
Tudo lhe rondava, tudo lhe doía,
Tudo lhe ansiava, mas tudo se esvaía...
Mas o tempo é sábio, dá acalanto.
E quando menos se espera, como por encanto,
De um amigável convívio,
Um encontro, uma conversa, um alívio...
E entre copos e toques a verdade se tecia.
Soube da simplicidade, mas da sabedoria.
Do inusitado, do revelador!
De um velho amigo, um pescador.
E o motivo veio à tona e lhe veio a surpresa.
Ela se emocionou com a metáfora de tamanha beleza!
Idéia singela, mas banhada em unção.
São os abstratos concretos que saem do coração.
Tornou-se enfeite, perfeita, intocável tal qual bibelô.
Quem dera pra ela o deleite daquela noite de amor...
Ficou o desejo, o gosto no sonho e apagou-se a fogueira
Pois foi comparada a uma imaculada peça de cristaleira.

Outra história que não pode se perder...Depois de uma amiga ter me contado, não pude deixar de escrever!
Desenho: Rosane Duá

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"Caprichos"

Houve uma época em que eu viajava mais, muito mais do que hoje.
Ainda não tive a dádiva de conhecer a Europa. Itália, Espanha, terras dos meus sonhos e ancestrais...
Hei de vê-las e vivê-las!
Mas foi num dia frio qualquer, numa rua novayorquina que eu o vi pela primeira vez! Me apaixonei!
Ele estava lá, sozinho,parado numa esquina...Passei a noite pensando nele e mal conseguia dormir.
No dia seguinte, voltei esperançosa ao mesmo lugar. Fui tentar vê-lo de novo! Por sorte minha o encontrei. Ainda quieto no meio do povo.
São coisas comuns de mulher, paixão, amor à primeira vista...
E nem por um segundo sequer desistiria dessa minha conquista!
Sonhava com ele em meus braços ou então, eu envolvida nos seus!
A qualquer preço tinha que tê-lo. Deus, serão somente caprichos meus?
Posso afirmar piamente: Ele era lindo, delicado, gostoso...
Tudo o que eu sempre quis e não duvide se ainda tenho o que dizer: ele era sóbrio, quente, charmoso...
Meu retorno ao Brasil estava iminente.
Tive que dar um jeito nessa situação e tinha que ser rápido, pois podia perdê-lo para outra!
Consegui! Ralei um bocado mas enfim, o ato foi consumado!
Não dei chance a nenhuma outra fã.
Quer saber quem era ele? Nenhum ator ou cantor famoso.
Simplesmente, o meu casaco de lã.

Moral da história: se apaixonou, tente, vá em frente.
Se conquistou, muito bem! se não, se apaixone de novo!
Há sempre um casaco de lã à espera de braços friorentos!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Bloco de Carnaval"

Como a cabeça pode pensar engraçado!
Voltando do centro da cidade do Rio, termômetros marcando 42º, uma certa cabeça conseguiu desprezar o calor e resolveu idealizar um Bloco de Carnaval!
Só não vou dizer o nome! Mas acreditem, é muito bom e sugestivo!
O mais interessante é que essa cabeça faz parte de um corpo que detesta carnaval, não dança o samba e talvez seja doente do pé!
E foi assim:
A concentração será na Padaria “Artesanato do Pão” na Rua Uruguay.
Pra começar, a presidência será composta por membros ilustres: um escritor da TV Globo e sua família “fii”, a Gagaça Paga, uma amiga que sempre paga quando saímos para comer alguma coisa, ele, o próprio idealizador e sua fiel companheira de todas as horas, inclusive dessa hilária hora, eu!
Sairemos sentados em cadeiras, certamente empurradas por figurantes fantasiados...
Contestei e disse que eu sairei com o samba no pé e fantasiada de Mulher Gato. Nada de cadeira!
“Bicho de pé” tem ele!
Mas me disse que irá atrás de mim com um chinelo na mão!
Quem vai compor o samba é o novo trio de ouro, “Gamarra, Edu e Costinha”, vencedores por duas vezes do Bloco “Se me der eu Como” da Tijuca.
O puxador do samba será o Mingo, um dia MC do funk e hoje amigo compositor e parceiro. Vozeirão!
Até aí o assunto estava morno, até que ele definiu outros cargos importantes:
"Teremos uma consultora para assuntos referentes à insônia, uma amiga de nome Kapri, que dorme como ninguém, até em pé num ônibus! Ela vai ensinar como se desfila dormindo, para que ninguém fique cansado no final da maratona do desfile pelas ruas da Tijuca."
A comissão de frente será puxada pela Ito, uma amiga que mal consegue andar, usa uma bengala de apoio e fala muito palavrão! Imaginou ela dando bengaladas e xingando todos atrás dela reclamando da lentidão...
Fora as integrantes, as assanhadas do Tijolinho!
Não dá para descrever essa cena, pois eu não conseguiria palavras para expressar tanta imaginação e como foi engraçada essa descrição!
Não me lembro de ter dado tantas gargalhadas tão gostosas...

Esta página vale à pena visitar, pois é  de uma das amigas citadas nesta crônica.
 http://marciafurtado.carbonmade.com

"Mundo Mágico"

Essa é a história de um menino, hoje homem já feito
Que ainda fala dos seus dias de criança.
Seus sonhos, medos, saudades, conceitos...

Sabia das fábulas, contos, canções,
Papai Noel, Coelho da Páscoa, Branca de Neve e os Sete Anões.
Pela sua ingenuidade um mundo mágico lhe surgiu!
E quando se deparou com anão de verdade
Acreditou em tudo o que ouviu! 

Tinha medo de falar com os motoristas devido à sua timidez. 

E sempre passava do ponto de descida
E andava a mais e mais de uma vez!

Lembrou de uma bala antiga
Quando lhe deram uma bala de mel
Adora chocolate preto, cão viralata e mensagens num papel.

Diz que tem uma mãe bonita
Talvez por isso goste de mulheres maduras.
E sempre que pensa nela
Abre um belo sorriso e esbanja ternura.

Quem dera a pureza fosse eterna
E vivêssemos num sonho infinito
Haveria mais cor, aroma, sabor
E passaríamos pela vida achando tudo mais bonito...

Há histórias de vida que não podem ser somente contadas e sim documentadas.
É o caso desse "Mundo Mágico" de um bom amigo.
Desenho Rosane Duá

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

"Coexistência"

Em pleno 1º de Janeiro deste ano que se inicia e mais uma vez, almejamos que nossas expectativas e esperanças sejam concretizadas, que haja Paz entre os Homens e haja a conscientização que o Planeta pede socorro e que a família volte a ser a célula mestra do futuro promissor de uma criança, presenciei uma cena como poucas: uma família atípica, de membros e raças diferentes, mas com o amor e união indiscutíveis, incontestáveis!
Na famosa Praça 7 em Vila Isabel, uma humilde e bela senhora negra, que aparentava uns 80 anos em seus cabelos cor de prata, com vestimentas simples, pés descalços e com sacos de plástico nas mãos, por cansaço sentou-se sob a sombra de uma árvore na calçada. Ao seu lado, como filhos obedientes e fiéis àquela senhora, sentaram 4 cães vira-latas. Todos pareciam famintos e distantes do mundo real a sua volta, porém felizes.
Ela, muito delicada e vagarosamente, abriu um dos sacos e, com sua mão marcada pelo tempo, retirou farelos que parecia de pão e alimentou seus “filhos”.
Eu vi a mais humilde e bela ceia jamais imaginada!
Depois de alimentados, três cães ousaram dar uma volta pela redondeza. Fazia muito calor e pareciam estar à procura de água. A senhora descansava com o quarto cão ao seu lado como se não quisesse deixá-la sozinha.
A fêmea que parecia prenha, sendo seguida pelo seu macho protetor e possivelmente pai da sua cria, atravessou a rua e por sorte, encontrou uma jardineira que no lugar de terra e flores, havia água, muita água da chuva que maltratava o, literalmente, Rio de Janeiro.
Ela, sem nenhuma cerimônia, adentrou e deitou na jardineira, ficando somente com a cabeça de fora. Seu pescoço ficou ao nível da água e sem nenhum esforço matou sua sede. Seu “marido” parecia feliz por sua amada ter se saciado! A cena foi inacreditável!
O terceiro cão passeava no lado oposto sem dar atenção aos seus irmãos. Depois de alguns minutos a “senhorinha” levantou-se do chão e chamou os desgarrados fugitivos dizendo com sua voz alta e rouca e com gestos teatrais: Vamos pra casa! Imediatamente a fêmea, completamente molhada, ouviu a voz daquela que lhe amava e, pingando, caminhou ao seu encontro ainda com o macho em sua sombra. Parecia uma procissão!
Os três enfileirados voltaram à árvore de destino e os cinco foram embora juntos, unidos como uma verdadeira família até sumirem do meu campo de visão e só Deus sabe pra onde...
Nesse momento me lembrei a falta que sinto do meu filho nessa data emotiva, pois ele voa em outros ares, navega em outros mares...
Mas chego à conclusão de que não é preciso credo, religião, raça, poder ou luxo para que exista amor, respeito entre os seres humanos ou não.
A coexistência é possível!

Imagem Google

"Guardião da Lua"

Muita vida, pouca história.
Já te falta na memória
O teu jeito de aprendiz
Pouco tempo, muito sonho!
Mas ainda tão risonho
Disfarçando ser feliz
Um amor mal resolvido te tirou os pés do chão
Mas o luar tão exibido é o teu par na solidão
Quando o morro se ilumina
Tá na hora de esquecer
Dos anseios , tua sina que te fez envelhecer
Quando o morro se ilumina
Tá na hora de aprender
Que a vida é tua rima, que tens muito pra viver
Guardião da lua
Teus cabelos cor de prata ainda têm pra me ensinar
Sou a menina sempre grata da cantiga de ninar
Guardião da lua
Quando sentas na varanda esperando ela nascer
Tens o brilho como ela pontuando o anoitecer


Esta é a letra da canção "Guardião da Lua" que fiz para o meu pai e a melodia, que não imagino outra, é do parceiro e produtor do CD "Todos Nós", Theo Santos.
Meu pai faleceu em Outubro de 2008, 6 dias após o meu aniversário!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Meu Pedaço"


Minha vida, meu pedaço, meu eterno, meu menino
És meu plano, o meu traço e que Deus guarde o teu destino!
O teu dom abençoado deixa o mundo cativado, gera cor,cheiro e sabor
O teu jeito atrapalhado tem um charme debochado mas no fundo sedutor
Fiz de tudo e ainda faço só pra ver-te a sorrir
Se quiseres dou um laço na incerteza que surgir
Eu caminho em tua estrada, tenha a pedra que tiver
Movo rocha, esfrio lava, pois que venha o que vier!
Um sorriso estonteante e os cabelos cor de mel
A voz rouca tão marcante e no dedo um anel
No corpo tem mil sardas, no andar o descansado
E nas mãos tem 4 cordas que embelezam o sincopado

No peito explode o sonho, a paixão, a esperança
Faz sempre o que pode essa minha eterna criança
Estarei sempre ao teu lado pois a tua alegria me deixa feliz
Meu filho adorado, amor verdadeiro, és tudo o que eu quis!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Meu Universo é assim!
Desenhos, Letras e Músicas.
Comecei!

  
Desenho de Rosane Duá 
Nanquim sobre papel