quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"Peça de Cristaleira"


Em nossas vidas muitas coisas acontecem
E há aquelas que deixam de acontecer.
E a gente fica nula, sem resposta!
Mas o tempo se encarrega de responder.
Cito uma paixão avassaladora
Que estremeceu toda uma estrutura!
Mas se perdeu no espaço, foi levada ao vento
Sem justificativa ou censura.
Palavras vinham, palavras iam.
Dúvidas permaneciam.
Tudo lhe rondava, tudo lhe doía,
Tudo lhe ansiava, mas tudo se esvaía...
Mas o tempo é sábio, dá acalanto.
E quando menos se espera, como por encanto,
De um amigável convívio,
Um encontro, uma conversa, um alívio...
E entre copos e toques a verdade se tecia.
Soube da simplicidade, mas da sabedoria.
Do inusitado, do revelador!
De um velho amigo, um pescador.
E o motivo veio à tona e lhe veio a surpresa.
Ela se emocionou com a metáfora de tamanha beleza!
Idéia singela, mas banhada em unção.
São os abstratos concretos que saem do coração.
Tornou-se enfeite, perfeita, intocável tal qual bibelô.
Quem dera pra ela o deleite daquela noite de amor...
Ficou o desejo, o gosto no sonho e apagou-se a fogueira
Pois foi comparada a uma imaculada peça de cristaleira.

Outra história que não pode se perder...Depois de uma amiga ter me contado, não pude deixar de escrever!
Desenho: Rosane Duá

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